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Use a história de Star Wars para pregar a Cristo, pede autor

Para Lee Grady, se o apóstolo Paulo estivesse por aqui hoje, possivelmente iria ao cinema assistir Star Wars - e coletar material para seu próximo sermão.


Luke Skywalker
Luke Skywalker

O filme “Star Wars: os últimos Jedi” estreia mundialmente hoje e deve ser um sucesso de bilheteria como todos os outros da franquia. Há 40 anos, o primeiro filme da saga (terceiro na cronologia) chamado “Guerra nas Estrelas” iniciava uma mudança na maneira como as pessoas se relacionavam com o cinema.

Estima-se que todos os filmes e produtos relacionados com o nome Star Wars geraram cerca de US$ 37 bilhões até hoje, tornando-se a franquia mais bem-sucedida da história. Desde 1977, os sabres de luz, os androides e os alienígenas fazem parte do imaginário de milhões de pessoas no mundo todo.

A ideia dessa “força” que controla o universo extrapolou as telas e chegou a inspirar uma seita/filosofia que em várias partes do mundo exige ser reconhecida como uma religião legítima.

Contudo, desde que o primeiro filme se popularizou, alguns cristãos criticavam a mensagem, dizendo que George Lucas estava divulgando ideias do hinduísmo, que era parte de uma “conspiração satânica” que visava instalar a Nova Era nas mentes das crianças. Esses mesmos críticos subiram o tom após o lançamento do segundo filme, O Império Contra-Ataca, principalmente por causa do personagem Yoda, cujo nome parecia muito com “yoga” e ele ensinava o ocultismo a seu discípulo Luke, principalmente sobre como mover coisas apenas com seu pensamento.

Por outro lado, alguns defensores insistiam que Star Wars continha temas cristãos, como o bem vencendo o mal, a virtude do sacrifício e o poder da redenção. Essa última ideia ficou especialmente óbvia no “Retorno de Jedi”, quando Darth Vader se volta contra o imperador para defender Luke, que se recusava a se voltar para o “lado negro” da Força.

Autores cristãos fizeram avaliações apaixonadas desse tipo de paralelo em livros como “O Evangelho Segundo Star Wars” (John C. McDowell), “Star Wars e Jesus” (Caleb Grimes) e “Encontrando Deus em uma Galáxia muito, muito distante” (Timothy Paul Jones). O escritor Paul Kent escreveu inclusive um devocional de 40 dias, “A Força Real”, alternando passagens bíblicas com trechos dos filmes.

Agora que um novo episódio é lançado, a questão volta a incomodar: os filmes Star Wars são bons para os cristãos? Ou são perigosos? Seriam apenas uma forma de entretenimento?

Lee Grady, que por 11 anos foi editor da Charisma, maior revista pentecostal do mundo, escreveu sobre isso em um longo artigo esta semana. Para ele, não devemos “demonizar” um filme apenas porque não mostra aquilo que aprendemos na escola bíblica dominical.

“Eu não protegei meus filhos dos contos de fadas, mesmo que essas histórias tivessem magia (“Cinderela”, “Pinóquio”), uma bruxa má (O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa) ou um fantasma. Na verdade, acredito que Deus pode usar a ficção criativa para nos ensinar e inspirar”, insiste Grady, que hoje trabalha em uma missão humanitária.

Para o líder cristão, há lições importantes na série. “Eu gosto de boas histórias. Adoro histórias em que os bons ganham, os maus perdem e o pior homem percebe que cometeu um erro e decide mudar. Eu amo histórias que ilustram os valores que quero na minha vida, mesmo que o cenário seja um planeta fictício (como Alderaan ou Tatooine). Esse é o apelo de todos os filmes da Star Wars. Eles nos falam, de modo profundo, sobre temas importantes como perdão, coragem e virtude. Eles enfatizam fé, esperança e amor”, defende.

Obviamente, ele não acredita que Star Wars pretendem ensinar teologia. “Eu não acredito que a Força é a mesma coisa que o Deus da Bíblia (e sim, há ideias hinduístas e budistas nessa mistura). Mas acredito que posso usar a história da Star Wars para ajudar uma pessoa a entender o cristianismo. Esse é o trabalho de um sábio evangelista – ele pode usar uma referência cultural, um mito, uma música pop ou um filme para pregar o evangelho”, avalia.

Para Grady, se o apóstolo Paulo estivesse por aqui hoje, possivelmente iria ao cinema assistir Star Wars – e coletar material para seu próximo sermão. O paralelo se justifica na busca de Paulo para ser relevante diante da cultura. Ele disse: “Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns (1 Coríntios 9:22).

Como muitos outros teólogos, Grady acredita que a Igreja precisa aprender a “falar a mesma língua que a cultura”. Paulo frequentemente usava a poesia popular de seu tempo para alcançar os incrédulos. Quando pregou em Atenas, cita dois poetas seculares para descrever o vasto propósito de Deus, de uma maneira que fazia sentido para seu público pagão. Ele estava citando Epimênides quando disse: “Porque nele [Deus] vivemos, e nos movemos, e existimos” (ver Atos 17:28).

De muitas maneiras, a nossa cultura hoje é muito parecida com Atenas do primeiro século. Para muitas pessoas, “Os últimos Jedi” transmitirá ideias religiosas. Portanto, conclui Grady, “Devemos estar atentos para aqueles que estão buscando o significado da vida e acreditam na mensagem de um filme”.

Podemos usar isso para iniciar um diálogo com eles, testemunhando como a única “força” que muda as coisas é a que vem de Deus. Aos que gostariam de ver uma “Guerra nas Estrelas”, é possível mostrar a eles o que diz Apocalipse. Para quem deseja ver o mal (lado negro) vencido, nada melhor do que apresentar a cruz de Cristo.

Assista o trailer:



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