Animação “Bilal” quer ensinar as crianças sobre o islamismo

Trama conta história de um escravo que se tornou um dos primeiros aliados de Maomé


Animação "Bilal" quer ensinar as crianças sobre o islamismo

A história real do escravo etíope Bilal Ibn Rabah é a base de um longa de animação que estreia em fevereiro. Quase dois anos após a sua estreia no Oriente Médio, o filme chega ao Ocidente após um acordo com uma distribuidora de Hollywood.

O filme escrito por Ayman Jamal é o primeiro longa-metragem da empresa Barajoun, com sede em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

“Bilal, um novo tipo de herói” contou com uma equipe de cerca de 250 animadores. A produção teve um sucesso relativo em países muçulmanos. Como o título sugere, pretende mostrar como era a vida de uma figura considerada heroica na tradição islâmica, embora isso não fique claro no material promocional.

Segundo o site Variety, o tema do anticapitalismo está presente, sendo representado pelas cenas que mostram o comércio de escravos. Alguns diálogos tentam explicar como o islamismo é a religião mais “inclusiva” de todas, onde mesmo os negros e escravos (como o protagonista) são bem-vindos. A temática principal é que aquela fé é a única “libertadora”.

Pela tradição islâmica, Bilal Ibn Rabah foi um dos primeiros seguidores de Maomé e lutou ao seu lado nas batalhas que levaram ao domínio islâmico sobre Meca e Medina. “Prestamos muita atenção aos detalhes. Contratamos 11 pesquisadores, incluindo alguns com doutorado, para nos ajudar a escrever a história desse personagem, usando 17 fontes históricas diferentes. Desenhamos cada um com base nessas descrições e o que sabemos sobre as tribos da época. Foram cerca de seis meses para projetar cada personagem. Queríamos mostrar a vida dos personagens exatamente como foram descritas em textos históricos, não usando a nossa imaginação”, explica Jamal. O roteirista diz que a ideia de contar a história de Bilal tinha a pretensão de inspirar os jovens que buscam um ideal de vida.

Basicamente, a trama mostra um menino nascido na Etiópia que tinha o sonho de se tornar um grande guerreiro. Ele e sua irmã Ghufaira foram sequestrados e levados para Meca, uma terra muito distante de sua casa. Já adulto, ele ouve falar de um novo profeta que se tornava famoso e decide segui-lo. Por causa de sua nova fé, é ameaçado por seu dono até ser comprado por Abu Bakr, o braço-direito de Maomé.

Parte da narrativa é em favor da “liberdade” e da “luta contra os infiéis” que, embora não sejam identificados assim, historicamente foram contra cristãos e judeus. Algumas das cenas das batalhas das conquistas islâmicas são um tento violentas para crianças, que deveriam ser o público-alvo. Mesmo assim, Jamal disse estar esperançoso pelo sucesso do filme fora do mundo árabe e pretende investir todo o lucro em novas produções que mostram sua fé “sob uma luz positiva”.

A animação será lançada em Portugal no mês que vem com o nome de “Bilal: A Lenda”, mas ainda não há previsão de quando chega ao Brasil. Com informações Shadowandact e Variety

Assista ao trailer:




Deixe seu comentário!